Trump sanciona Alexandre de Moraes com base em lei usada contra ditadores e terroristas

Bloqueio de bens, restrições bancárias e veto à entrada nos EUA atingem também outros ministros do STF e o procurador-geral Paulo Gonet

A escalada entre os Estados Unidos de Donald Trump e o Supremo Tribunal Federal brasileiro ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (30). O governo norte-americano decidiu aplicar sanções duras ao ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, um instrumento criado originalmente para punir ditadores, oligarcas corruptos e violadores de direitos humanos.

A punição bloqueia contas bancárias e ativos de Moraes em solo americano, impede transações no sistema financeiro dos EUA e cancela o visto de entrada do ministro. A decisão atinge ainda outros oito integrantes do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, cujos vistos já haviam sido suspensos por ordem de Trump na semana passada.

A sanção é resultado de um processo movido pela organização Legal Help 4 You LLC, que atua como amicus curiae na Justiça Federal da Flórida, onde tramita uma ação aberta pelas empresas Trump Media e Rumble. Ambas alegam que foram censuradas no Brasil por decisões do STF que, segundo Moraes, visaram coibir a propagação de fake news e discurso de ódio. As companhias afirmam que essas decisões ferem a soberania dos Estados Unidos e configuram perseguição política contra plataformas ligadas ao conservadorismo.

“Isso está sob análise neste momento, e há uma grande possibilidade de que isso aconteça”, havia alertado, ainda em maio, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao ser questionado pelo deputado republicano Cory Mills.

A aprovação da medida, inédita contra um magistrado de Suprema Corte, coloca Moraes ao lado de nomes até então associados a regimes autoritários, como oficiais do Irã, membros da máfia russa e chefes de milícias africanas.

Desde março, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem atuado nos bastidores em Washington para pressionar por sanções contra membros do Supremo, com foco em Alexandre de Moraes. O parlamentar tem articulado com aliados de Trump, buscando formas legais de responsabilizar o ministro por decisões que, segundo a oposição, extrapolam os limites constitucionais.

A movimentação faz parte de uma ofensiva mais ampla de setores conservadores brasileiros que denunciam violações de liberdades e abusos de autoridade por parte da Corte. Moraes é relator de inquéritos que atingem diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no STF por suposta tentativa de golpe de Estado.

No processo que embasou a sanção, a Legal Help 4 You sustenta que o Supremo estaria usando a justificativa do combate às fake news para sufocar a atuação de empresas estrangeiras e calar vozes conservadoras no Brasil.

A Lei Magnitsky, sancionada em 2012 nos Estados Unidos, permite ao governo americano impor sanções contra indivíduos acusados de corrupção sistemática ou graves violações de direitos humanos. Para sair da lista, o sancionado precisa comprovar que não teve envolvimento direto com os atos puníveis, que já foi julgado por eles ou que mudou radicalmente de conduta. Outra possibilidade é o próprio governo americano rever a medida.

Com a decisão em vigor, os olhos agora se voltam ao STF e ao Planalto. Moraes ainda não se manifestou publicamente, e o governo Lula, até o momento, evita confronto direto com a gestão Trump. Nos bastidores, porém, a expectativa é que a tensão entre os Poderes e a pressão internacional ganhem novos contornos nas próximas semanas.

Foto de Redação Espírito Santo Sem Limite

Redação Espírito Santo Sem Limite

Espírito Santo Sem Limite é um portal de notícias que acredita no Jornalismo comprometido com a verdade dos fatos e com a ética, trazendo sempre os principais acontecimentos do Espírito Santo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Um trágico episódio de violência familiar abalou a cidade de Itumbiara (GO) na madrugada desta quinta-feira (12). O secretário de Governo da prefeitura, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, atirou contra os seus dois filhos dentro da residência da família e, em seguida, cometeu suicídio, conforme informado pela Polícia Civil de Goiás.

O filho mais velho, de 12 anos, identificado como Miguel Araújo Machado, foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Modesto de Carvalho (HMMC), mas não resistiu aos ferimentos. O filho mais novo, de 8 anos, foi encaminhado ao Hospital Estadual de Itumbiara São Marcos, passou por cirurgia e chegou a ser internado em estado grave, mas posteriormente sua morte também foi confirmada em alguns relatos, enquanto outras fontes ainda mencionam estado crítico.

As autoridades informaram que não há indícios da participação de terceiros no caso, e a investigação corre sob responsabilidade do Grupo de Investigação de Homicídios da Polícia Civil, que instaurou procedimento para esclarecer todos os detalhes do ocorrido.

Horas antes do episódio, Thales publicou em suas redes sociais um vídeo com os filhos e declarações de amor, incluindo mensagens nas quais aparecia junto às crianças em momentos familiares. Em outra publicação, ele mencionou dificuldades pessoais e um possível fim do relacionamento com a mãe das crianças, o que, segundo reportagens locais, poderia ter relação com o desfecho trágico, embora a motivação exata siga sob investigação.

Thales era casado com Sarah Tinoco Araújo, filha do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo (União Brasil), o que aumentou a comoção na cidade. Diante da tragédia, a Prefeitura de Itumbiara decretou luto oficial de três dias, suspendendo eventos e atividades públicas em respeito às vítimas e seus familiares.

O episódio provocou forte comoção na comunidade local e reacende debates sobre saúde mental, violência familiar e prevenção, reforçando a necessidade de atenção e apoio a situações de sofrimento emocional e conflitos pessoais.

Novos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no contexto das investigações sobre o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais antes de sua morte em 2019, incluem menções a nomes de brasileiros e instituições do Brasil, o que tem atraído atenção da mídia e do público.

É importante destacar que constar nos documentos não significa envolvimento em atividades criminosas. Os arquivos incluem e-mails, registros de agenda e outras comunicações que podem mostrar contatos pontuais, menções ou referências, e passam a ser analisados por autoridades e pesquisadores no mundo todo.

Entre os brasileiros mencionados estão:

  • Luciana Gimenez – O nome da apresentadora surgiu em registros que indicam transferências financeiras entre 2014 e 2019 nas quais ela aparece como destinatária. Luciana publicou comunicado em redes sociais negando qualquer ligação com Jeffrey Epstein e afirmando que nunca manteve contato com ele, além de repudiar as atividades ilegais atribuídas ao financista.
  • Izabel Goulart – A modelo foi citada em uma troca de e-mails de 2011 em que Epstein mencionou que ela teria se hospedado em um de seus apartamentos em Nova York. A defesa de Izabel afirmou que ela jamais esteve em propriedades de Epstein, explicando que, quando foi morar nos Estados Unidos para trabalhar, dividiu apartamento com outras modelos em imóvel cedido pela agência que a representava.
  • Eike Batista e Luma de Oliveira – Os arquivos também citam o empresário e sua ex-esposa em correspondências de agosto de 2012, mas a assessoria de Eike afirmou que ele nunca conheceu Epstein e que a menção teria caráter incidental, sem relevância concreta.
  • Arthur Casas – O arquiteto aparece em mensagens que indicam conversas entre seu estúdio e representantes ligados a Epstein sobre uma possível reforma na ilha particular do financista no Caribe. Em nota, sua equipe confirmou que realizou uma visita técnica, mas que o projeto não evoluiu e nenhum serviço foi realizado.
  • Silvio Santos – Uma cena antiga exibida em seu programa também está presente nos arquivos, mas não há indicações de participação direta ou contextualização clara que a relacione a atividades ilícitas.

Especialistas e autoridades ressaltam que nomes incluídos nos documentos podem refletir referências profissionais, contatos ou aparições em registros que não necessariamente apontam envolvimento com o esquema criminoso que motivou a investigação original de Epstein.

A divulgação contínua desses arquivos tem gerado repercussão internacional e local, levantando debates sobre transparência, responsabilidade e interpretação correta das informações. Até o momento, nenhum dos brasileiros citados foi associado formalmente a crimes ligados ao caso Epstein.

O transporte escolar universitário de Vargem Alta tem sido alvo de reclamações por parte de estudantes que utilizam o serviço para se deslocar até instituições de ensino superior em Cachoeiro de Itapemirim. Segundo relatos, a linha atualmente realiza apenas o trajeto pela via principal, deixando de atender comunidades do interior do município.
Com isso, alunos que moram em regiões mais afastadas precisam depender de caronas de familiares e amigos para chegar até a rota principal e, somente então, conseguir acessar o ônibus universitário. A situação tem gerado dificuldades logísticas e insegurança quanto à regularidade do deslocamento diário.
No momento, o impacto do problema é menor porque apenas uma faculdade de Cachoeiro de Itapemirim retomou as aulas, enquanto outras duas instituições ainda estão em período de férias. Essa condição reduz temporariamente o número de estudantes utilizando o transporte.
No entanto, os universitários demonstram preocupação com o retorno total das atividades acadêmicas, quando a demanda pelo serviço deve aumentar de forma significativa. Eles temem que, sem ajustes na rota ou ampliação do atendimento, o transporte se torne insuficiente para atender todos os alunos.
Os estudantes esperam que a situação seja avaliada pelos responsáveis, buscando alternativas que garantam acesso igualitário ao transporte universitário, especialmente para quem reside em comunidades mais distantes da sede do município.

Tendência

plugins premium WordPress
Espírito Santo Sem Limites