EUA impõem punições bilionárias a bancos que desafiaram sanções

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que sanções aplicadas por outros países só podem ter efeito no Brasil se autorizadas pelo STF, causou reação imediata entre os bancos. Executivos de grandes instituições financeiras consideraram a medida “incumprível”.

O motivo é prático: bancos brasileiros dependem de sistemas americanos e mantêm operações nos Estados Unidos, o que os obriga a seguir à risca as regras do Tesouro norte-americano. Foi justamente esse órgão que aplicou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, dentro da chamada Lei Global Magnitsky.

Logo após a decisão de Dino, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil reforçou a mensagem:

“Pessoas e entidades sob jurisdição dos EUA estão proibidas de manter qualquer relação comercial” com Moraes, acrescentando que “nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções impostas pelos EUA ou proteger alguém das severas consequências de descumpri-las”.

O histórico mostra que tentar driblar sanções americanas pode sair caro. Bancos de todo o mundo pagaram multas bilionárias e enfrentaram restrições severas. Alguns casos recentes ilustram a gravidade:

  • BNP Paribas (França) – Em 2014, pagou 8,9 bilhões de dólares (R$ 48,95 bilhões hoje) por operações ilegais de cerca de 30 bilhões de dólares (R$ 165 bilhões) com Cuba, Irã e Sudão. Além da multa, o banco teve restrições temporárias em transações em dólar e passou a ser monitorado de perto pelos órgãos americanos.
  • HSBC (Reino Unido) – Em 2012, desembolsou mais de 1 bilhão de dólares (R$ 5,5 bilhões) por falhas de compliance que permitiram lavagem de dinheiro de cartéis e transações com países sancionados, incluindo Irã, Líbia e Sudão.
  • Commerzbank (Alemanha) – Em 2015, pagou 1,45 bilhão de dólares (R$ 7,97 bilhões) por operações financeiras em nome de entidades iranianas e sudanesas.
  • Standard Chartered (Reino Unido) – Em 2019, recebeu penalidade de 1,1 bilhão de dólares (R$ 6,05 bilhões) por facilitar transações com Irã, Sudão, Síria, Cuba e Mianmar, parte delas via unidade em Dubai para tentar mascarar clientes ligados a países sancionados.
  • ING Bank (Holanda) – Em 2012, pagou 619 milhões de dólares (R$ 3,4 bilhões) por manipulação de registros em mais de 20 mil operações, envolvendo Cuba, Irã, Líbia, Sudão e Mianmar.
  • Credit Suisse (Suíça) – Em 2009, foi multado em 536 milhões de dólares (R$ 2,94 bilhões) por movimentar recursos de entidades iranianas e sudanesas. O banco admitiu ter orientado clientes iranianos a ocultar informações para escapar do monitoramento americano.
  • Deutsche Bank (Alemanha) – Em 2015, pagou 258 milhões de dólares (R$ 1,41 bilhão) por mascarar mais de 27 mil transações envolvendo Irã, Síria, Sudão e Líbia. Executivos ligados às operações foram demitidos.

Para os bancos brasileiros, a mensagem é clara: não há como ignorar as sanções americanas. A decisão do STF evidencia os limites da soberania nacional diante das regras globais de compliance e da rigidez do sistema financeiro internacional.

Foto de Redação Espírito Santo Sem Limite

Redação Espírito Santo Sem Limite

Espírito Santo Sem Limite é um portal de notícias que acredita no Jornalismo comprometido com a verdade dos fatos e com a ética, trazendo sempre os principais acontecimentos do Espírito Santo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Justiça da Itália emite nova decisão sobre extradição de Zambelli

Caso envolve trâmites internacionais e segue em análise judicial.

A Justiça da Itália emitiu uma nova decisão relacionada ao processo de extradição da deputada Carla Zambelli. O caso envolve procedimentos legais entre países e segue dentro das normas do direito internacional.

A decisão faz parte de uma série de etapas do processo, que ainda pode ter novos desdobramentos conforme a análise judicial avance. Autoridades acompanham o caso, que tem repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. O tema continua em debate, considerando os aspectos jurídicos e políticos envolvidos na extradição.

Victoria Beckham quebra o silêncio sobre briga com o filho Brooklyn

Celebridade comentou rumores e repercussão envolvendo relação familiar.

A estilista e ex-cantora Victoria Beckham falou publicamente sobre os rumores de uma suposta briga com seu filho, Brooklyn Beckham. A declaração veio após especulações ganharem força nas redes sociais e na imprensa internacional.

Victoria buscou esclarecer a situação, destacando a importância da família e minimizando possíveis conflitos. O caso gerou grande repercussão entre fãs e seguidores, que acompanham de perto a vida da família Beckham. Situações envolvendo celebridades frequentemente ganham destaque, especialmente quando envolvem relações pessoais e familiares.

Receita apreende maior carga de haxixe da história vinda dos EUA

Operação identificou grande volume da droga e reforça combate ao tráfico internacional.

A Receita Federal apreendeu a maior carga de haxixe já registrada no país, em uma operação que envolveu mercadorias vindas dos Estados Unidos. Segundo as autoridades, a droga foi identificada durante fiscalização, levantando suspeitas sobre o envio internacional e possíveis conexões com organizações criminosas.

A apreensão representa um marco no combate ao tráfico de drogas, evidenciando o volume expressivo do material interceptado. As investigações seguem em andamento para identificar os responsáveis pela remessa e o destino final da carga. A operação reforça o trabalho de fiscalização e controle realizado nos pontos de entrada do país, com foco no combate a crimes transnacionais.

Tendência

plugins premium WordPress
Espírito Santo Sem Limites