
Um navio-hospital chinês da Marinha do Exército de Libertação Popular, identificado como Silk Road Ark, atracou no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2026 como parte da chamada Missão Harmony 2025, uma operação humanitária internacional da China.
A embarcação, que permanece no porto por alguns dias, tem gerado debate público e institucional no Brasil sobre os propósitos da visita, a transparência das atividades e a fiscalização de eventuais atendimentos médicos a brasileiros.
Autoridades chinesas afirmaram que o navio visa promover intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais, além de atividades abertas ao público e demonstrações de terapias tradicionais, como acupuntura e outras práticas médicas.
Por outro lado, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) solicitou esclarecimentos às autoridades brasileiras sobre a possibilidade de o navio estar oferecendo atendimento médico à população sem a devida autorização legal. Em um ofício encaminhado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), o conselho questionou se existe autorização formal, quem seria o público atendido e se profissionais estrangeiros estariam devidamente habilitados para atuar no país, conforme as normas que regem a prática médica no Brasil.
Na sequência, representantes do CREMERJ relataram que foram impedidos de realizar uma vistoria completa no navio para checar a situação, incluindo a interferência de autoridades consulares estrangeiras e presença de militares durante a tentativa de fiscalização.
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, informou que não está sendo realizado atendimento médico no navio e que a presença da embarcação no Rio tem caráter diplomático e de intercâmbio profissional, sem oferta de serviços clínicos ao público brasileiro.
O episódio também motivou questionamentos no âmbito diplomático e militar, já que integrantes das Forças Armadas brasileiras e parte do Itamaraty levantaram pontos sobre a ausência de detalhes claros sobre os objetivos da missão e a presença de equipamentos técnicos no navio, o que gerou certa apreensão quanto à transparência da operação.
As autoridades brasileiras ainda não divulgaram uma posição final uniformizada sobre a missão e a presença da embarcação no país. O debate segue em curso entre órgãos reguladores, conselhos profissionais e setores do governo, enquanto a visita do navio-hospital chama a atenção da população e de especialistas.
























